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John Ronald Reuel Tolkien

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John Ronald Reuel Tolkien

Mensagem por worion em Qui Jun 25, 2009 6:55 pm



John Ronald Reuel Tolkien


Biografia

A família Tolkien

Árvore genealógica de Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien CBE (Bloemfontein, 3 de Janeiro de 1892 — Bournemouth,
2 de Setembro de 1973) foi um escritor,
professor universitário e filólogo britânico.

Tolkien nasceu na África do Sul e aos três anos de idade, com sua mãe e irmão,
passou a viver na Inglaterra, terra natal de seus pais.
Desde pequeno fascinado pela linguística, foi para a faculdade de Letras em Exeter.
Lutou na Primeira Guerra Mundial,
onde começou a escrever os primeiros rascunhos do que se tornaria o seu "mundo secundário"
complexo e cheio de vida,
denominado Arda, palco das mundialmente famosas obras O Hobbit, O Senhor dos Anéis e
O Silmarillion, esta última, sua maior paixão,
que, postumamente publicada, é considerada sua principal obra, embora não a mais famosa.

Tornou-se filólogo e professor universitário, tendo sido professor de anglo-saxão
(e considerado um dos maiores especialistas do assunto) na Universidade de Oxford de
1925 a 1945, e de inglês e Literatura inglesa na mesma universidade de 1945 a 1959.
Mesmo precedido de outros escritores de fantasia, tais como William Morris, Robert E.
Howard e E. R. Eddison, devido à grande popularidade de seu trabalho, Tolkien ficou
conhecido como o "pai da moderna literatura fantástica". A sua obra influenciou toda
uma geração.

Católico fervoroso, foi grande amigo de C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia,
ambos membros do grupo de literatura The Inklings.

Até onde se sabe a maioria dos parentes paternos de Tolkien eram artesãos.
A família teve origem na Saxônia (Alemanha), mas viveu na Inglaterra desde o século XVII,
tornando-se "rápida e intensamente inglesa (mas não britânica)".

O sobrenome Tolkien é um anglicismo de Tollkiehn (em alemão, tollkühn, temerário,
imprudente, que em uma tradução etimológica deveria ser dull-keen, algo como
estúpido-sagaz, uma tradução literal de oxímoro; no conto The Notion Club Papers,
Tolkien cria um personagem com o nome John Jethro Rashbold, fazendo piada com o
seu próprio nome, já que Jethro e Reuel são nomes do mesmo personagem bíblico,
o sogro de Moisés). Mesmo sendo um Tolkien, considerava-se mais um Suffield
(sua família materna) do que propriamente um Tolkien.

Aos três anos parte com a sua mãe, Mabel Suffield, dona de casa, e com o seu irmão,
Hilary Arthur Reuel Tolkien, para a Inglaterra, onde pretendiam passar apenas uma temporada
devido a questões de saúde de Mabel e dos seus filhos, mas devido à morte de seu pai,
eles ali permaneceram por toda a vida.
O pai, Arthur Tolkien, um bancário que trabalhava para o Bank of Africa,
contraiu febre reumática e morreu em 1896 na África do Sul, antes de juntar-se
à família, e foi enterrado na própria África. Em 1900 a situação financeira da família
complicou-se. Mabel Suffield fazia parte da Igreja Anglicana, e quando tornou-se
católica, sua família cortou a ajuda financeira que lhe dava, e assim ela morreu,
por diabetes, sem tratamento na época. Tolkien, que considerava esse facto um
sacrifício da mãe em nome da fé, converteu-se ao Catolicismo. Tolkien e seu irmão
foram entregues então aos cuidados do Padre Francis Xavier Morgan, que Tolkien
mais tarde descreveu como um segundo pai, e aquele que lhe ensinara o significado
da caridade e do perdão.

Conheceu Edith Bratt em 1908, quando ele e seu irmão Hilary foram alojados no mesmo
local que a jovem, três anos mais velha, e os dois começam a namorar escondido.
Entretanto, seu tutor, o Padre Francis Morgan, descobriu a situação e, acreditando
que este relacionamento fosse prejudicar a educação do rapaz, proibiu-o de vê-la até
que completasse vinte e um anos, quando Tolkien alcançaria a maioridade.
Na noite do seu vigésimo primeiro aniversário, Tolkien escreveu a Edith, e
convenceu-a a casar-se com ele, apesar de ela já estar comprometida, e também converteu-a
ao catolicismo. Juntos eles tiveram quatro filhos: John Francis Reuel Tolkien (1917–2003),
Michael Hilary Reuel Tolkien (1920-1984), Christopher John Reuel Tolkien (1924-) e Priscilla
Anne Reuel Tolkien (1929-).

Tolkien era um pai devoto. Essa característica mostrava-se bastante clara nos livros,
muitas vezes escritos para seus filhos, como Roverandom, escrito quando um deles
perdeu um cachorrinho de brinquedo na praia. Além disso, Tolkien mandava todos os
anos cartas do Pai Natal quando os filhos eram mais jovens. Havia mais e mais personagens
a cada ano, como o Urso Polar, o ajudante do Pai Natal, o Boneco de Neve, Ilbereth
(um nome semelhante ao da rainha Elbereth, a Valië), sua secretária, e vários outros
personagens menores.
A maioria deles contava como estavam as coisas no Pólo Norte. Mestre Gil de Ham foi,
outrossim, uma história contada para entreter os filhos.

A vida na sua obra

A infância de Tolkien teve duas realidades distintas: a vida rural em Sarehole,
ao sul de Birmingham, lugar que inspirou o famoso Condado, e o período urbano
na escura Birmingham, onde iniciou seus estudos. Nesta frase Tolkien fala sobre Sarehole:
A ancestral Sarehole há muito se foi, engolida pelas estradas e por novas construções.
Mas era muito bonita na época em que vivi lá...
— Tolkien

Ainda criança, mudou-se para King's Heat, numa casa próxima a uma linha de trem.
Foi aí que ele começou a desenvolver uma imaginação lingüística, motivada pelos
estranhos nomes das paradas do percurso, tais como Nantyglo, Perhiwceiber e Seghenydd.
Sua infância foi muito marcada pelos contos de fadas, que estimularam sua imaginação para
o Faërie, Belo Reino, como ele se referia ao mundo dos seres fantásticos.

Em 1900, sua mãe abraçou a religião católica, fato que o influenciou profundamente,
mesmo sem a menção direta de Deus na sua obra (Tolkien representa Deus por Eru, o
qual cria todo universo e os seres que lá habitam). Tolkien disse que os mitos não-cristãos
guardavam em si elementos do Grande Mito, o Evangelho, que adentraram o Mundo Primário,
isto é, o mundo real, fato este que não vai contra a Igreja Católica.

Sua mãe Mabel apresentou a ele e a seu irmão os contos de fadas em línguas como o
latim e o grego. Desde a morte da mãe, quando os irmãos passaram aos cuidados de
Francis Morgan, o rapaz dedicou-se aos estudos demonstrando grande talento lingüístico.
Estudou grego, latim, línguas antigas e modernas, como o finlandês, que serviu de base
para criação do idioma élfico Quenya e o galês, base para o outro idioma élfico, o Sindarin.
Em 1905 os órfãos mudaram-se para a casa de uma tia em Birmingham. Em 1908 deu início
à carreira acadêmica, ingressando no Exeter College, da Universidade de Oxford.

Em 1914, ano em que começou a Primeira Guerra Mundial, Tolkien ficou noivo
de Edith Bratt. No ano seguinte, recebeu com honras o diploma de licenciatura
em Literatura de Língua Inglesa.
A graduação e os méritos não o libertaram da convocação e em 1916,
depois de casar-se com Edith Bratt, foi chamado à guerra. Tolkien sobreviveu à
Batalha do Somme (província de Soma), uma mal-sucedida incursão na França/Bélgica
onde morreram mais de 500 mil combatentes. Em 1917 nasceu o seu primeiro filho,
John Francis Reuel Tolkien (mais tarde padre John Tolkien) e no ano seguinte, depois
de contrair tifo, J.R.R.Tolkien foi enviado de volta à Inglaterra. Foi neste período
que iniciou o Livro dos Contos Perdidos (The Book of Lost Tales), que mais tarde
converteu-se em O Silmarillion, em 1919 quando ele retornou a Oxford.

Depois do fim da guerra Tolkien dedicou-se ao trabalho acadêmico como professor,
tornando-se um grande e respeitado filólogo. Nesta mesma época ingressou na
equipe formada para preparar o New English Dictionary, o equivalente inglês do
dicionário brasileiro Aurélio. O projeto já havia chegado à letra W, e seu supervisor,
impressionado com o trabalho de Tolkien, afirmou que:
"Seu trabalho [de Tolkien] dá provas de um domínio excepcional de anglo-saxão
e dos fatos e princípios da gramática comparada das línguas germânicas.
Na verdade, não hesito em dizer que nunca conheci um homem da sua idade
que se igualasse a ele nesses aspectos."

Mas foi só em 1925, depois do nascimento de seus filhos Michael Hilary Reuel
Tolkien (1920) e Christopher John Reuel Tolkien (1924) que Tolkien publicou
seu primeiro livro, ao lado de E. V. Gordon: Sir Gawain & the Green Knight,
baseado em lendas do folclore inglês. A sua filha mais nova, Priscilla Anne Reuel Tolkien,
nasceria dali a cinco anos.


* continuação no Post 2 * lol!


Última edição por worion em Sex Jun 26, 2009 11:41 pm, editado 1 vez(es)

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John Ronald Reuel Tolkien - parte 2

Mensagem por worion em Qui Jun 25, 2009 6:58 pm

* continuação * cheers

Tolkien e as Sociedades
O pub The Eagle and Child


Tolkien foi muito ligado a sociedades. Nas que participou, a literatura era o tema
fundamental, algo que o ajudou na criação de suas obras, pois nestas sociedades
encontrou seu primeiro público e encorajadores.

Em sua juventude, sua primeira sociedade foi a T.C.B.S. (Tea Club, Barrowian Society),
formada por Tolkien e três amigos. Não era dedicada apenas a literatura,
mas ela estava presente.
A Primeira Guerra Mundial dissolveu o grupo, matando Rob Gilson, e algum
tempo depois G. B. Smith. Os dois restantes, Christopher Wiseman (inspiração para o nome
do terceiro filho de Tolkien) e Tolkien, foram amigos até o fim da vida de Wiseman.
A frase a seguir é de G.B.Smith, pouco depois da morte de Rob Gilson
A morte pode nos tornar repugnantes e indefesos como indivíduos,
mas não pode acabar com os quatro imortais!
— G.B.Smith

Anos depois, fundada por Tolkien, The Coalbiters se dedicava à literatura nórdica,
muito apreciada por Tolkien, que incluía Beowulf e o Kalevala, por exemplo.
Chamavam-se de Kolbitars, ou, "homens que chegam tão perto do fogo no
inverno que mordem carvão", o que originou no nome Coalbiters (mordedores de carvão).
Entre seus membros estavam R. M. Dawkins, C. T. Onions, G. E. K. Braunholz, John Fraser,
Nevill Coghill, John Bryson, George Gordon, Bruce McFarlane e C. S. Lewis.

Outro grupo de que participava era chamado The Inklings, também dedicado à
literatura, que se reunia no pub The Eagle and Child (em português A Águia e a Criança)
que os integrantes chamavam O Pássaro e o Bebê (The Bird and Baby em inglês).
Os Inklings incluíam C. S. Lewis e seu irmão H. W. Lewis, Charles Williams,
Owen Barfield e Hugo Dyson.

Quando Tolkien conheceu C. S. Lewis, este era agnóstico, e Tolkien logo
se empenhou para convertê-lo ao catolicismo romano. No entanto,
Lewis preferiu o anglicanismo, movimento protestante cristão no qual fora educado.
A religião sempre foi um motivo de afastamento entre Tolkien e C.S.Lewis,
especialmente pela forma diferente como ambos a tratavam. Tolkien inclusive
não apreciou muito a obra As Crônicas de Nárnia, por considerá-la demasiadamente
alegórica (entretanto, ele não odiou o livro, como pensam alguns).
A religião no livro de Lewis é bem explícita, ao passo que nos de Tolkien ela é
oculta em personagens, lugares e até atitudes, embora sem ser alegórica,
construção de que Tolkien não gostava. Apesar dos desentendimentos Tolkien
e Lewis foram grandes amigos, amizade essa explorada no livro O Dom da Amizade:
Tolkien e C. S. Lewis. De fato, O Senhor dos Anéis provavelmente não existiria sem
o incentivo de C. S. Lewis, que aliás foi o primeiro a ouvir a história, e Tolkien jamais
deixou de admirar a grande inteligência de Lewis.

"Num buraco no chão vivia um hobbit"

A idéia de seu primeiro grande sucesso, O Hobbit, surgiu em 1928, enquanto
Tolkien examinava documentos de alunos que queriam ingressar na Universidade
e Tolkien contou que:
Um dos alunos deixou uma das páginas em branco – possivelmente a melhor
coisa que poderia ocorrer a um examinador – e eu escrevi nela:
Em um buraco no chão vivia um hobbit,
não sabia e não sei porquê.
— Tolkien

Foi a partir desta frase que ele começou a escrever O Hobbit, somente dois anos
depois, mas o abandonou no meio.
Casa de Tolkien, na Nothmoor Road 20, Oxford. Lugar onde escreveu O Hobbit e
O Senhor dos Anéis.

Tolkien emprestou o manuscrito incompleto para a Reverenda Madre de Cherwell
Edge na época, quando esta estava doente, e ele foi visto por Susan Dagnall,
uma bacharel de Oxford , que trabalhava para Allen & Unwin (comprada em 1990
pela Editora Harper Collins) e analisado depois por Rayner Unwin (Filho de Stanley
Unwin, fundador da Allen & Unwin, na época com 10 anos de idade) que ficou
maravilhado pela história. Dagnall ficou tão encantada com o material que encorajou
Tolkien para que ele terminasse o livro, e em 1937 é publicada a primeira edição de O Hobbit.

A saga do hobbit Bilbo – um ser baixo, pacato, de pés peludos e grandes,
que se aventura na Terra Média ao lado do mago Gandalf e mais treze anões –
teve tanto sucesso que Tolkien foi sondado para novas aventuras.
Tolkien oferece O Silmarillion, que ele considerava sua principal obra,
mesmo que, hoje, não a mais conhecida. Stanley Unwin preferiu não arriscar
e não publicou a obra. Mesmo depois da recusa, Tolkien concordou em continuar
a saga dos hobbits e começa a dar forma a uma nova obra, que lhe consumiu doze
anos de trabalho desde os primeiros rascunhos até a sua conclusão, mas que o
tornaria um dos mais conceituados escritores de todos os tempos: O Senhor dos Anéis.

O elo para a nova aventura surge no Anel que Bilbo rouba de Gollum em O Hobbit.
Os primeiros rascunhos da obra datam de 1937, mas devido ao seu perfeccionismo,
que o impelia a ter de fazer vários rascunhos para cada uma de suas obras,
foi somente em 1949 que O Senhor dos Anéis foi para as mãos de sua editora.
Durante este longo tempo, Tolkien também escreveu
Leaf by Niggle em que o autor se manifesta de forma autobiográfica,
projetando-se em Niggle, com suas dúvidas sobre o trabalho que estava
escrevendo, "O Senhor dos Anéis", e sua relevância.
Em princípio o texto foi recusado, pois a idéia de Tolkien era lançar dois volumes,
sendo eles "O Silmarillion" e "O Senhor dos Anéis", já que ele os considerava
interdependentes e indivisíveis.
Entretanto o editor da Collins, uma outra editora, havia gostado da idéia e
começou a encorajar Tolkien a publicar os livros pela editora Collins.
Depois de grande atraso na publicação, Tolkien perde a paciência e desiste do acordo.
Posteriormente, após algumas conversas com Rayner Unwin (já adulto e trabalhando
na empresa do pai, Rayner foi um dos que recebiam os rascunhos de
"O Senhor dos Anéis" de Tolkien ao longo de sua composição), a decisão
da Allen & Unwin foi reconsiderada e, em 1954, foram publicados os dois
primeiros volumes (A Sociedade do Anel e As Duas Torres).
Em 1955 foi publicado o terceiro e último volume (O Retorno do Rei).
A idéia original era lançar a obra toda num único volume, mas para baixar
os custos de impressão, foi dividida em três volumes.

Esse livro consolidava então o que Tolkien chamava de Mundo Secundário,
com novas normas, novos povos, uma realidade à parte: Arda, o cenário de
uma das maiores obras literárias de todos os tempos. "Arda" é a Terra,
povoada por seres fantásticos, como os Valar, os Maiar, e os mais conhecidos,
hobbits, elfos, anões, trolls, orcs e cercada de mistérios e magia:
[Criei] um Mundo Secundário no qual sua mente pode entrar. Dentro dele,
tudo o que ele relatar é "verdade": está de acordo com as leis daquele mundo.
Portanto, acreditamos enquanto estamos, por assim dizer, do lado de dentro.
— Tolkien

Apesar dos ataques da crítica, o livro teve grande sucesso dos dois lados do
Atlântico, mas seus livros só alcançaram a classe de cult nos anos 60,
devido ao fato de sua obra ter se tornado mania entre os universitários dos
Estados Unidos com a chegada de uma edição pirata norte-americana neste país.

O nome de Tolkien ganhou notoriedade mundial, fato este que provocava mais
transtornos que prazer ao autor, pois visitantes excêntricos afluíam ao seu
encontro: fãs norte-americanos telefonavam-lhe durante a madrugada sem
se lembrar do fuso horário por exemplo. Tais factos tiveram grande peso em
sua decisão de se mudar para Bournemouth.

Exímio linguista
Alfabeto rúnico criado por Tolkien, chamado Angerthas ou Cirth.

Tolkien era um homem apaixonado por idiomas. Quando criança se encantava com
nomes galeses que via nos camiões de carvão. Com suas primas aprendeu rapidamente
uma língua artificial e bem simples criadas pelas garotas, chamada Animálico, com base
nos nomes de animais. Juntos criaram outra língua, uma mistura de vários outros idiomas.
Chamava-se Nevbosh, traduzido como Novo Disparate. Mais tarde criou o Naffarin,
mais complexa e baseada na língua de seu tutor padre Francis Morgan: o espanhol.

Tolkien, em Dezembro de 1910, tornou-se aluno do curso de literatura clássica na
Universidade de Oxford, onde obteve uma bolsa de estudos do Exeter College,
mas desinteressou-se por este curso e começou a gastar mais tempo no estudos
de filologia, sendo orientado por Joseph Wright, um dos grandes pesquisadores
britânicos desta ciência e grande conhecedor do tronco linguístico indo-europeu.
Pediu transferência para a Honour School of English Language and Literature,
onde teve um notável melhora devido ao seu interesse pela filologia germânica.
O primeiro artigo da Declaração dos Direitos Humanos escrita nos caracteres Fëanorianos: as Tengwar.

Desde criança já tinha em sua volta línguas clássicas como grego e o latim,
e mais tarde com o espanhol. Sempre achou o italiano muito elegante e, é claro,
o inglês e o anglo-saxão o fascinavam.
O francês não o cativava tanto, apesar de ser (como ainda é) aclamada como
uma belíssima língua. Quando se deparou com a língua finlandesa ele se encantou,
e usou sua gramática, junto com a galesa, como base para as línguas que mais tarde
apareceriam em seus livros. Línguas de gramática complexa e vasto vocabulário. Línguas
que seriam estudadas a fundo por muitos de seus fãs: o Quenya, cujo exemplo máximo é
expressado pelo poema Namárië, e o Sindarin, este último baseado no galês, as Línguas Élficas,
todas movidas pelo som bonito (eufonia) e pela estética, como o "Repicar dos sinos" dizia ele.
Foi baseado nestas línguas que Tolkien começou a desenvolver seu mundo.
Para ele, primeiro vinha a palavra, depois a história. A composição para ele não era
um passatempo (como foi 'acusado' na época), mas um trabalho filológico.
Ele criou um mundo onde suas línguas pudessem ser faladas, e lendas para rodeá-las.

Tolkien, consciente da língua como um organismo mutável, totalmente relacionado com as
histórias de um povo, afirmou certa vez que:
O Volapuque, Esperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do
que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las.
— Tolkien

Mais tarde afirmou num artigo sobre filologia:
Meu conselho a todos que dispõem de tempo ou inclinação a se ocuparem com
o movimento por uma língua internacional, seria: "Apoiem lealmente o Esperanto".
— Tolkien

Criou várias outras línguas (como o Khûzdul e o Valarin), mas nenhuma tão elaborada quanto
as duas élficas. Também desenvolveu alguns sistemas de escrita, as Angerthas (ou runas)
e as Tengwar. Acreditava que uma língua bonita devia ter também um alfabeto elegante.

Além do inglês, Tolkien conhecia cerca de dezasseis outros idiomas
(à excepção dos criados por ele mesmo) que eram os seguintes:
grego antigo, latim, gótico, islandês antigo, sueco, norueguês, dinamarquês,
anglo-saxão, médio inglês, alemão, neerlandês, francês, espanhol, italiano, galês e finlandês.

Quando O Hobbit foi traduzido para o islandês, Tolkien ficou encantado,
porque, além de esta ser uma de suas línguas favoritas, ele achava que
o livro combinaria muito com ela.
Muitos nomes, como Gandalf, foram retirados do antigo islandês.

* continuaçao no post 3 *
lol! lol!

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John Ronald Reuel Tolkien - parte 3

Mensagem por worion em Qui Jun 25, 2009 7:04 pm

* continuação *


Além disso, o autor David Colbert escreveu em seu livro "O Mundo Mágico do Senhor dos Anéis":
Muitas pessoas tentam comparar J. R. R. Tolkien e J. K. Rowling só porque ambos contam
histórias sobre mundos imaginários habitados por magos.
Não há muita coisa semelhante entre suas histórias.
— D.Colbert

Não se pode deixar de citar também uma obra que é muitíssimo parecida com a de Tolkien: Eragon,
de Christopher Paolini. Nela, os elfos são ainda criaturas belas e os anões os mineiros rabugentos também.

Muitas outras áreas sucumbiram ao poder dos Anéis. Em 1974, Gary Gygax e Dave Anderson arrumaram uma
maneira de interagir com esta realidade e criaram o Role-Playing Game (RPG) Dungeons & Dragons, um jogo
de personificações com temas fantásticos, claramente inspirados na Terra-Média de Tolkien. Com o RPG foi
possível se aventurar no universo de orcs, anões, elfos, dragões e até os hobbits, os Halflings do D&D,
que mantêm muitas características dos Hobbits com leves alterações (inclusive o próprio Tolkien usava o
nome halfling para os seus hobbits). O RPG serviu de estímulo para o público explorar e conhecer novos mundos.
A própria Terra-média chegou a ter seu RPG, o MERP (Middle-Earth Role Playing), em 1982, só que o complexo
sistema de regras e os freqüentes equívocos em relação à trama atrapalharam sua difusão, e o MERP não saiu.

Do papel para o computador foi um pulo. Na década de 70, um hacker fã de Tolkien deu uma ajuda ao
programador do arcaico RPG Adventure. O jogo foi transformado, ganhou o nome de Zork e virou hit entre
os usuários da Arpanet (embrião da Internet) porque estava cheio de referências ao mundo de Tolkien.
Nos primórdios da rede, essas realidades virtuais ganharam uma versão em texto, batizadas de MUD
(Multi-User Dungeon/Dimension, que em português soa algo do gênero Dimensão Múltipla de Usuários).
Hoje, graças aos avanços da tecnologia, os MUD caíram em desuso e o que é sucesso são jogos multiplayer
como EverQuest, Última Online, Asheron’s Call, Warcraft e Kingdom Under Fire.
Todos têm em comum cenários fantásticos e referências às obras de Tolkien. A Internet teve papel importante na
propagação dos trabalhos do autor.
Através dela foi possível reunir fãs do mundo inteiro, que demonstram sua admiração e discutem a política, sociedade,
as línguas, a biologia e a história da Terra-Média.
Há milhares de sites dedicados aos trabalhos de Tolkien que trazem ensaios, poemas, fan-fictions
(contos de ficção escritos por fãs), sátiras, críticas, notícias, grupos de estudos, de discussão, fóruns e,
é claro, humor (vide Ligações externas).

Tolkien "multimedia"

Ao contrário dos trekkers e dos “star warriors” que aprovam e incentivam as seqüências das obras originais em livros,
filmes, produtos e HQs, os fãs de Tolkien preferem manter seu próprio ponto de vista sobre a obra. Com uma visão
muito pessoal e particular da saga de Frodo, os fãs não se arriscam a tocar na Terra-média. E esse é um dos motivos
que impediram uma proliferação ainda maior do legado do autor. A única excepção talvez seja o livro The Black Book of Arda,
escrito por duas jovens russas no início dos anos 90, que recontavam os acontecimentos de O Silmarillion, só que do ponto
de vista dos vilões.

A influência de Tolkien também pode ser percebida nas mais diversas formas de artes. Pintores como John Howe,
Roger Garland, Ted Nasmith, Alan Lee, Tim Kirk e os irmãos Hildebrandt entre outros figuram em enciclopédias
ilustradas e centenas de
galerias de imagens na Internet. Eles retratam com primazia várias passagens dos livros.
A obra do autor também aparece nas músicas de bandas como Led Zeppelin, Blind Guardian, a banda sueca Za Frûmi’s
(que compôs uma música com uma versão modificada do idioma orc) entre várias outras influenciadas.

O cinema e a TV não poderiam ficar de fora, o desenho animado Caverna do Dragão e o filme Dungeons & Dragons
(ambos baseado no RPG D&D) são claramente influenciados por Tolkien.
Podem-se citar outras produções cinematográficas como O Cristal Encantado (1982), A História Sem Fim (1984),
Labirinto (1986), A Lenda (1986), Willow – Na Terra da Magia (1988) e Coração de Dragão (1996).

Em 1978, o animador britânico Ralph Bakshi (o mesmo de Super Mouse e Gato Felix) tentou adaptar O Senhor dos Anéis para
o cinema num longa-metragem de animação de duas horas.
Mas o roteiro era fraco e mesmo usando uma técnica de animação interessante (a rotoscopia, onde os movimentos humanos
são sobrepostos pelo desenho) a produção não agradou e parece terminar em algum ponto no meio de As Duas Torres.
Outras duas obras de Tolkien viraram longas animados para a TV inglesa: O Hobbit (em 1978) e O Retorno do Rei (1980),
ambas criadas para especiais de TV e dirigidas por Jules Bass, o mesmo produtor de Thundercats e Silverhawks e co-diretor
do longa metragem Rudolph, a rena do Nariz Vermelho.
Tolkien também marcou presença nas HQs. Há influência dele em Bone, a HQ fantástica de Jeff Smith e na mega-série Elfquest,
que já tem mais de vinte anos de publicação e conta
a história de um mundo recheado de elfos. Também existe Lodoss, uma série criada por fãs-japoneses de RPG, que durante anos, anotaram suas aventuras e transformaram em duas sagas animadas.
A primeira é The Record of Lodoss War (de 1991) e a mais recente saga chama-se Chronicles of the Heroic Knight (de 1999),
ambas trazem um mundo mágico de deuses, dragões, demônios, magos e guerreiros lutam pelo poder.

Com seus tentáculos se espalhando por todos os lugares, no início do século XXI a saga dos Anéis chega ao cinema.
Graças a Peter Jackson, um antigo fã, isso se tornou realidade, e a realidade dos três filmes produzidos simultaneamente
(divididos do mesmo modo que os livros, lançados em 2001, 2002 e 2003), rendeu 17 Oscar à série, 4 ao primeiro,
2 ao segundo e 11 concedidos ao terceiro, igualando-o aos recordes de Titanic e Ben-hur.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Última edição por worion em Sex Jun 26, 2009 11:42 pm, editado 1 vez(es)

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Re: John Ronald Reuel Tolkien

Mensagem por C.Soares em Qui Jun 25, 2009 8:36 pm

Bem, posso dizer que este tópico foi no mínimo uma leitura extremamente interessante, existem aqui informações das quais eu não fazia a mínima ideia.
Acho interessante a quantidade enorme de línguas que este senhor conhecia e também não fazia ideia que a "língua antiga" tinha um sentido gramatical.
Quanto ao jogos, já joguei a segunda versão de "Lord of the Rings and the battle for the Middle heart II", e para quem gosta de RPG's ao estilo de RTS's aconselho vivamente!

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